ultimas O que vai pela FG

Jornal Estado de Minas publica reportagem sobre os 50 anos da FG

  O Jornal Estado de Minas de 17 de abril homenageou a Fundação Gorceix, publicando uma reportagem sobre a hisória e os trabalhos desenvolvidos pela entidade. Confira abaixo:

 Fundada em 1960 para dar suporte a alunos da Escola de Minas de Ouro Preto, entidade presta significativa ajuda a universitários e se torna centro de excelência para empresas

 Daniel Antunes

Em 18 de abril de1960, todas as atenções do país estavam voltadas para Brasília, que seria inaugurada tr
ês dias depois. A nova capital era vista como símbolo da modernidade e principalmente de um novo Brasil nas linhas de construções de Oscar Niemeyer e noticiada a cada momento nas emissoras derádio.Em meio a todo alvoroço político, o então presidente da República, Juscelino Kubitschek,desembarcava, ao lado do governador de Minas, BiasFortes, na histórica Ouro Preto,aconvite de um grupo de ex-alunos da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), liderados por Amaro Lanari, para lançar a Fundação Gorceix, uma audaciosa ideia que tinha por finalidade dar suporte aos alunos da Escola de Minas (Escola de Engenharia da UFOP) e contribuir para o desenvolvimento técnico científico do setor mínero metalúrgico do país.

Cinquenta anos depois, a fundação ganhou forma por meio de aboratórios, centros de pesquisas tecnológicas e comemora os números alcançados. Somente no ano passado,foram destinados cerca de 17 mil benefícios para serem aplicados em filantropia e na formação de alunos carentes. Ao todo, os investimentos somaram R$ 8,9 milhões. Em2008, foramquase R$11milhões.A fundação deve inaugurar nos próximos meses a Sala de Memória e o Centro Administrativo que vai consolidar o c
âmpus tecnológico da entidade.
A fundação nasceu de doações de empresas e pessoasfísicas, mas depois, com o passar do tempo, ela entendeu que o melhor caminho seria captar recursos por meio de projetos com empresas. Realizando estudos, avantagem ét ripla.Envolvemos professores e alunos da EscoladeMinas,o que gera conhecimento e tem resultado financeiro, que é aplicado nas ações estatutárias”, disse o presidente da fundação, Cristovam Paes de Oliveira.

O nome da entidade foi dado em homenagem ao franc
ês Claude Henri Gorceix, que chegou ao Brasil em 1875, ainda na época do Segundo Império para implantar uma Escola de Minas semelhante adeParis.Oprojeto foi consolidado no ano seguinte, em Ouro Preto. Uma das atuações mais significativas da entidade é a ajuda aos alunos carentes, que chegam de várias partes do Brasil para estudar na Escola de Minas de Ouro Preto. Ganhamobenefício aqueles queconseguem provar carência, pormeio de uma avaliação baseada nos critérios do Conselho Nacional de Assistência Social.São oferecidas bolsas estudantis, alimentação e ajuda médica.Os bolsistas que participam dos projetos desenvolvidos entre afundação e empresas privadas recebem ainda bolsas de iniciação científica e de pesquisas.
Isso facilita a inserção desses alunos no mercado de trabalho.Os professores que participam ficam expostos e ganham notoriedade. Para participar dos projetos, eles produzem material didático,que é levado para a sala de aula e isso se reverte em qualidade de ensino na UFOP”, afirmou.

Laboratórios

Os projetos científicos e tecnológicos, são desenvolvidos em cinco núcleos temáticos criados pela Fundação: Núcleo de Meio Ambiente (Numam),Geologia do Petróleo (Nupetro), Pesquisa e Educação Continuada (Nupec), Inovações Tecnológicas (Nutec)eNúcleo de Treinamento Acadêmico e Profissional (Nutap). "Afundação está estruturada nesses núcleos, que na realidade se ocupam de diversos projetos em suas áreas de atuação. O Nutap, por exemplo, atende principalmente a complementação profissionaldos alunos, onde são oferecidos cursos del íngua estrangeira, informática, marketing pessoal e empreendorismo entre outros. O Nutec atende principalmente projetos na área de mineração e metalurgia e éforte emprocessamento de minérios para diversas empresas do Brasil e exterior”, diz o presidente da Fundação.

No Nupec,o principal parceiro da fundação é a Vale. Lá, são feitos cursos de especialização em sistemas minero-metalúrgicos,para os engenheiros admitidos pela empresa no Brasil e no exterior que recebem especialização dada por professores da Escola de Minas e até de outras universidades do país.O Nupetro desenvolve trabalhos com empresas de petróleo e tem como principal parceiro a Petrobras. Recentemente, o núcleo desenvolveu um projeto multicliente, que envolveu 12 empresasdo setor petroleiro, num trabalho de análises ísmica de toda margem equatorial brasileira. Na área de meio ambiente, o Numam criou um banco de dados da Bacia do São Francisco, que se estendeu à Bacia do Jequitinhonha, em parceria com o Ministério PúblicoEstadual(MPE).

Ageração do conhecimento é o aspecto mais importante desses projetos, porque vai transformando a escola em centro de excelência. No início a gente corria atrás desses projetos, hoje as iniciativas quase que chegam espontaneamente à fundação. As empresas entenderam que a entidade tem competência técnica-cientifica para desenvolver os estudos”ressaltou. 

 Ajuda filantrópica

Os recursos captados no desenvolvimento de projetos coordenados pela Fundação Gorceix são investidos nos alunos carentes e em ações sociais na cidade. Nos últimos quatro anos, a Santa Casa de Misericórdia Ouro Preto, recebeu novas instalações no setor de pediatria, maternidade enfermaria e completou uma UTI. Até o mês que vem, deve ser instalado um tomógrafo, comprado com a ajuda da fundação, que pagou 60% do valor do aparelho,oúnico da região que atende a uma população de 150 mil habitantes. O hospital filantrópico tem 75%do seu atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Como contrapartida, os bolsistas da fundação são atendidos com certa prioridade na Santa Casa", disse Cristovam. Alunos da Escola de Minas e da Ufop participam de projetos no hospital. A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae),que atende cerca de 210 alunos, também recebeu aporte financeir da entidade. Já está funcionando uma clínica dentária montada pela instituição. Novos armários e uma área de lazer também foi montada com recursos captados pela fundação. "Ajudamos ainda a Fundação Sorria, que cuida da dentição de crianças pobres de Ouro Preto e o asilo dos idosos. Participamos de programas de inserção digital para crianças carentes da cidade. Em todas as ações, os bolsistas participam das atividades", disse Cristovam. Os programas de ação social são avaliados, antes de serem executados, pelo Ministério Público.

Bolsas para estudantes carentes

Pouco depois de completar 24 anos, a capixaba Gésica Roberta de Oliveira, chegava a Ouro Preto para enfrentar o maior desafio da sua vida: superar os traumas da infância, quando teve 98% docorpo queimado por uma combustão de cera e álcool durante uma brincadeira quandotinha apenas 3 anos, e ainda tornar-se aprimeira filha de uma família humilde de Aracruz, no Espírito Santo, aconseguir um diploma universitário. Havia passado no vestibular para geologia. Sabia que seria difícil, mas não esperava ter tanto gasto logo nos primeiros seis meses com moradia e alimentação. "Não dava para ficar. As despesas eram acima do que planejei e já tinha decidido abandonar o curso.A ideia era retornar de vez para casa", contou.

Por intermédio de amigos, chegou à Fundação Gorceix e, para sua surpresa,além da bolsa-alimentação e ajuda estudantil, que a auxiliou a se manter em Ouro Preto, ainda ganhou uma cirurgia plástica no rosto para corrigir as marcas deixadas pelas chamas. Foi ao Rio de Janeiro com os custos arcados pela fundação. A cirurgia foi realizada pelo cirurgião Ivo Pitanguy. Era aoperação reparadora de pele número 54 que fazia (as outras 53 haviam sido feitas no Espírito Santo, pelo SUS). "Hoje posso dar esse sorrisão", comemora.

A estudante ainda ganhou sessões com psicólogos. Por meio da fundação, participou de cursos de língua estrangeira, informática e até agosto, quando enfim terminará a faculdade, pretende passar por outras especializações."Minha família está orgulhosa e estou ansiosa para pegar meu diploma", afirma.

A fundação também foi omeio que garantiu ao estudante Pedro Sant-Clair Garcia, de 23, que no segundo semestre desse ano conclui a graduação em engenharia metalúrgica, condições para se manter na cidade histórica. Ele recebe uma ajuda mensal de 46 tícketes alimentação e R$ 200 de suplementação estudantil, que usa para pagar as despesas da república. Antes de conseguir a bolsa, os planos eram outros. A ideia era estudar os primeiros seis meses, trancar a matricula e trabalhar por um ano.Com as economias desse período,pretendia arcar com os custos para estudar por mais 12 meses de forma ininterrupta. "Se não fosse essa ajuda da fundação,com certeza não conseguiria terminar o curso agora e seria muito mais difícil a minha permanênciana universidade", disse.

Para garantir a bolsa, o estudante precisa manter rendimento estabelecido pela fundação. Seperder produtividade na sala de aula, o aluno é submetido a um psicólogo para avaliar se está passando por algum conflito familiar ou problema com alcoolismo, saúde ou drogas. O bolsista então recebe uma segunda chance e, se assim não conseguir melhorar o rendimento,é desligado do programa de ajuda estudantil.
"O que ocorre é que os bolsistas são os primeiros colocados de cada curso. Esse é o resultado mais palpável da ajuda aos alunos", avaliou Cristóvam Paes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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